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PGJ ministra palestra em evento escolar em comemoração ao dia da Consciência Negra

Atualizado em 20/11/2020 13:23

A Procuradora-Geral de Justiça, Maria Cotinha Bezerra, ministrou palestra no Projeto Mosaico Virtual da Consciência Negra, em alusão ao Dia da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira, 20 de novembro. Com o tema “Conquistas e Desafios contra o Racismo Estrutural”, o evento virtual foi destinado a estudantes da Escola Integral Raquel de Queiroz.


Maria Cotinha, que também é negra, explanou sobre o contexto histórico de luta por igualdade da população negra, citando Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência e luta negra no século VII; sobre as legislações existentes no ordenamento que criminalizam a conduta da discriminação e preconceito e que buscam diminuir as desigualdades em razão da cor da pele; sobre a necessidade de a sociedade incluir, de forma permanente, a pauta do racismo como pauta da coletividade, a fim de neutralizar as condutas racistas.


A PGJ fez questionamentos acerca da marginalização do negro no Brasil, apesar de o país ter maioria de negros e pardos e de toda a repercussão em torno da questão. Apontou o fato destes ainda continuarem  sendo marginalizados, ocuparem poucos postos de trabalho de destaque em relação aos brancos, e principalmente, os motivos pelos quais ainda são vítimas de crimes violentos e representam a maioria da população carcerária.


Na visão da chefe do MPTO, no país, apesar de não ter havido apartheid como na África do Sul e nos Estados Unidos, os brasileiros praticam um racismo velado e mascarado devido ao contexto histórico de miscigenação imposto pela colonização. Piadas e discursos atravessados, segundo ela, são exemplos de racismo. “Para alguns, isso inclusive consegue ser levado a título de brincadeira, piada, como se fosse normal. Porém, é aí que reside a naturalização de um tratamento tipicamente discriminatório racial”, declarou.


No contexto atual, Maria Cotinha ainda citou as redes sociais como grande potencializador de discriminação, quando se colocam em pauta as desigualdades dos negros e pardos, e também lembrou a tensão racial que existe, divulgada principalmente através do movimento “Black Lives Matter” (Vidas negras importam).  Essa tensão, na opinião dela, pode ter influenciado na recente eleição dos Estados Unidos e foi um dos fatores que culminou na derrota do atual presidente americano, Donald Trump.


Ao encerrar a palestra, ela fez um apelo às vítimas de preconceito, para que denunciem as agressões e exijam punição, como forma de minimizar essa prática criminosa. “Entre outras atitudes, devemos rechaçar condutas racistas por meio da denúncia e conhecimento às autoridades. Ter orgulho da identidade negra e de sua cultura, até para que isso inspire o respeito dos outros grupos. O engajamento desta questão no cenário político, para promoção de ações afirmativas e correção dessas distorções históricas”, concluiu.  (Denise Soares)