Escola em Taquari recebe ação do MPTO para fortalecer um ambiente escolar mais seguro e acolhedor
Os sonhos colados no mural, “entrar na faculdade”, “ter uma vida tranquila”, “ser professor”, “ser promotora de Justiça”, “ser médica”, revelam o que os estudantes da Escola Estadual Maria dos Reis Alves Barros, no setor Taquari, em Palmas, desejam para o futuro. E é justamente para proteger esses caminhos que o Ministério Público do Tocantins (MPTO) esteve na escola nesta semana.
Em uma conversa firme e direta, a promotora de Justiça Jacqueline Orofino falou aos adolescentes sobre os riscos reais que têm alcançado jovens em todo o país, incluindo o aliciamento pelo crime organizado, e reforçou por que a escola continua sendo o espaço mais seguro para construir um futuro.
“O estudo é a rota segura para mudar de vida. Queremos crianças e adolescentes na escola, estudando, protegidos e olhando para o amanhã com dignidade”, destacou a promotora.
A visita faz parte das ações de prevenção à violência do projeto “Caminhos para Proteção: Chega de Violência nas Escolas”, iniciativa conduzida pelo MPTO por meio das 10ª e 20ª Promotorias de Justiça da Capital, que orienta ações interinstitucionais voltadas à construção de escolas seguras, inclusivas e comprometidas com a garantia de direitos de crianças e adolescentes."
O olhar dos estudantes
Após a roda de conversa, a estudante Daphiny Ketlen, de 16 anos, aluna do 9º ano, descreveu o momento como uma experiência transformadora. “Foi muito interessante. Eles falaram coisas que muitos estudantes daqui realmente precisavam ouvir”, relatou.
Para ela, o instante mais marcante foi quando a promotora destacou a importância dos estudos como caminho para realizar objetivos, uma mensagem que a emocionou profundamente.
Daphiny também compartilhou um sonho que carrega desde a infância: “Desde pequena quero ser médica. Sempre gostei muito e tenho uma tia que me inspira.” A estudante contou que, antes de chegar à escola, quase não recebia incentivo. “Diziam que eu não ia ser nada. Aqui eu encontrei apoio, encontrei um caminho. É emocionante para mim”, contou.
Desafios diários da escola
Entre os principais desafios apontados pela diretora da unidade, Vanuzia Amorim de Oliveira Alves, está o comportamento dos alunos que se tornam disfuncionais. “Identificamos episódios de agressões verbais e físicas, desrespeito às normas e resistência às práticas formativas. Nosso objetivo é trabalhar essas questões antes que precisem chegar a sanções mais severas, como transferências”, explicou.
Com cerca de 700 estudantes somente no período vespertino, com turmas do 5º ano ao ensino médio, a diretora reconhece que a complexidade do ambiente escolar aumenta. “O projeto do Ministério Público vem ao encontro das nossas necessidades. Pedimos essa parceria justamente para fortalecer nossas ações, trazer mais diálogo e orientar os estudantes sobre seus deveres e responsabilidades ”, disse.
Atuação integrada e permanente
Para a analista do MPTO Adelaide Gomes de Araújo Franco, a iniciativa representa um avanço no enfrentamento das violências escolares com base em uma abordagem multidisciplinar e interinstitucional.
“Na primeira etapa, capacitamos profissionais da rede estadual e membros das forças de segurança para ampliar a preparação de quem está na linha de frente. Agora, estamos atuando dentro do ambiente escolar, promovendo a cultura de paz e trabalhando temas como bullying, cyberbullying e situações de risco envolvendo crianças e adolescentes”, destacou.
Conforme Adelaide Gomes, além de atuar diretamente com os estudantes, o projeto também envolve os pais. “É importante que todos conheçam não apenas os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas também os deveres. Na quinta-feira, 27, foi a vez de conversarmos com as famílias”, informou a analista.
Parceria com as famílias
O encerramento do ciclo de atividades foi marcado por uma roda de conversa com pais e responsáveis, reforçando que a segurança e a educação são responsabilidades compartilhadas.
Para Antônio Vieira de Carvalho, pai de dois alunos da instituição, o envolvimento da família é inegociável. Ele foi enfático ao delimitar os papéis dentro e fora de casa. “A responsabilidade de educar não é do estado nem do município, é dos pais. Hoje estamos colocando nossos filhos na escola para receber o cumprimento da educação, o saber ler e escrever”, afirmou Antônio, destacando que o respeito aos professores deve vir de berço.
A preocupação com a disciplina e os novos desafios da tecnologia também foi ecoada por Andreia da Silva Barros, mãe de um aluno do 6º ano. Ela avalia que a violência não está na escola em si, mas no comportamento trazido de fora. “A escola ensina, não é violenta. Quem é violento é o aluno”, observou Andreia, defendendo regras mais firmes. “Os pais têm que tirar os filhos das telas. A escola precisa ser rígida, como antigamente, e os filhos precisam respeitar pai e mãe”, pontuou a mãe.
Respeito ao regimento interno
Esse apelo por normas claras foi endossado pela promotora de Justiça Jacqueline Orofino. Dirigindo-se aos pais, ela frisou que a "rigidez" já existe e está documentada no regimento interno da escola. A promotora alertou que o documento prevê punições específicas para alunos que desrespeitam professores, coordenadores e funcionários. “É preciso que os pais conversem entre si e com seus filhos sobre a necessidade de cumprimento desse regimento. Quem infringe as regras de convivência e respeito sofrerá as consequências previstas”, destacou.
Presente no encontro, o promotor de Justiça André Ricardo Fonseca Carvalho também reforçou que a atuação conjunta é a única via eficaz. Ele aproveitou para combater a crença equivocada de que "não existe punição" para menores de idade.
André Ricardo explicou didaticamente que adolescentes cometem atos infracionais e que a legislação prevê uma progressão de medidas socioeducativas. “É como uma escada. As medidas vão se agravando conforme a conduta, podendo chegar à medida mais drástica, que é a internação [privação de liberdade]”, esclareceu o promotor, desmistificando a sensação de impunidade.
Ainda assim, ele finalizou lembrando que a prevenção começa em casa: “Nenhum órgão público, nenhuma escola e nenhum trabalho substitui o papel de educador do pai e da mãe. O contato muito próximo da família é fundamental para evitar comportamentos equivocados e de violência”, concluiu.
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